14 de março de 2011

ainda me lembro :'

Alto, pouco cabelo, desgasto de uma vida de trabalho, era velho.
Lembro-me de cada vez que me sentava com ele na velha cama de madeira, que ainda predura no quarto, que por coincidência, ou não, ainda continua fechado quase intacto desde a sua partida.
Tinha grandes olhos, castanhos, voz grossa e autoritária.
Em todo o rosto residia o cansaço de uma grande e sofrida vida. Admito que muitas vezes posso não o ter aceitado bem, e que muitas vezes dizia palavras que até hoje ainda me custam acreditar !
Falávamos daquela que tinha sido a sua mulher amada, de como eram passadas as nossas tardes, de como tinham os anos passado por nós. Tinha mil e uma doenças e raramente se preocupava com alguma.
Não cuidava dele, era egoísta e admito que muitas desejei que já não existisse :'

Lembro-me da pele rugosa e àspera dele, mas amava dar-lhe beijinhos de boa noite.
Lembro-me das suas grandes mãos, que comparadas às minhas eram como mãos de um papão.
Lembro-me ainda de como se vestia, forma desajeitada e despreocupada.
Lembro-me da sua grande altura, que me fazia sentir super pequenina, (sim era bastante).

MEU AVÔ, personagem da minha vida, bastante marcante, podia ter mil e um defeitos mas ainda me lembro como se fosse, cada lágrima que vivi quando, com apenas 10 anos me disseram, que a fita adesiva que lhe tapava os olhos servia para quando o sangue arrefece-se não ficar com os olhos abertos...

Raramente pensamos na morte como algo repentino, mas acontece, do nada, pessoas morrem, de doenças graves, ou simplesmente durante o sono.... e tudo acaba...

CatarinaBatistaMendes

1 comentário:

  1. o teu sentimento é igualzinho ao meu, fica sempre um sentimento que não fizemos e não demos tudo o que podiamos, mesmo que tenhamos dado tudo.

    ta lindo o texto amor, fiquei sem palavras :')

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